terça-feira, 28 de setembro de 2010

Assissinato em ECN


É a grande inauguração do Edifício Conjunto Nacional, quer dizer, apenas formalmente, porque meus pais já haviam comprado, decorado e reformado um pouco a loja de chapéus que mamãe sempre desejara ter. É um Edifício muito diferente dos que eu já conheci e super chique, pois ficava perto da Rua Augusta e no centro da cidade.
O lugar é belíssimo, possui uma escada no meio do pátio que da para o andar de cima e é em forma de espiral contornando um pilar enorme. A decoração esta maravilhosa, há flores de todas as cores espalhada pelo local. O jantar será no restaurante do hotel, que se localiza em cima do shopping.
Eu estou com um vestido que mamãe escolheu, ou seja, sinônimo de velho. O que realmente é, ela o compro quando tinha mais ou menos 18 anos, não que velho signifique feio, mas não é o vestido perfeito que eu queria usar especialmente hoje. Porque além de ser a inauguração e de vários repórteres e câmeras da televisão virem nos filmar e nos fotografar é que o menino mais lindo e estiloso e que é considerado o “tal” do ultimo ano do colégio vem também, o nome dele é Pedro Guilherme.

Minha mãe esta conversando comigo mais eu não consigo prestar atenção em nada porque eu o vi passando pela porta. Ele esta lindo com o smoking e com o cabelo para trás fixado com o gel, como todo garoto usa e isso os deixa lindos.
- Maria Paula! – minha mãe da um gritinho e depois me devolve um sorriso de reprovação por fazê-la gritar. –Me escute!
- Sim mamãe. Eu entendi que não é para eu ficar sozinha com menino algum, que é para eu sorrir quando vierem falar comigo dizendo que conhecem o papai ou até você.
Eu desviei o olhar a procura de Pedro. O ele deve estar? Ele estava aqui a um segundo. O encontro novamente, mas ele está cochichando com uma garota, que aparenta ser mais velha com uns 20 anos, e ela esta rindo do que ele fala. Pelo visto vou ter competição pela atenção dele, mas eu vou conseguir.
- Maria Paula! Mais o que é que você tanto olha? – minha mãe seguiu o meu olhar e viu para quem eu estava olhando. – Fique longe desse garoto, ele é só encrenca.

O jantar estava entediante, só tinha pessoas mais velhas conversando sobre a política atual, sobre novelas, roupas, a economia etc. Eu disse a mamãe que ia tomar um ar e ela pediu a Ana Flavia, uma filha santinha de uma das amigas de mamãe, que fosse comigo. E isso estragou todo o meu plano, pois na realidade eu estava indo encontrar Pedro que havia saindo, também, para tomar um ar.
- Maria Paula você viu que o pão do Pedro esta aqui?
- Sim. – respondi sorridente, quando na realidade queria esganá-la. – Vi, mas minha mãe não me deixou conversar com ele uma só vez.
- Mas menino só serve para se ver, não se pode flertar com eles.
- A sei. – eu revirei os olhos, não acredito que estou falando de meninos com a Sta. Flavia. – Mas ele é o que todas, ou quase todas, queremos.
- Você esta na dele, não esta?
- Quem sabe.
Eu me apoiei no parapeito da sacada que dava para ver a avenida. Fiquei por alguns minutos em silencio com os olhos fechados apenas escutando o som dos poucos carros, que passavam na rua, faziam. É uma noite quente e o vento fresco sopra em meus cabelos. Então eu sinto uma mão pousar em meu braço nu. Eu abro os olhos e Pedro esta ao meu lado me olhando sorridente.
- Você é a Maria Paula, não é?
- Sim, sou eu mesma. – eu não consigo respirar, isso é tão emocionante.
- Sou Pedro Grilherme.
Como se eu não soubesse quem você é. Mas eu apenas sorrio enquanto ele se apóia como eu no parapeito e me olha sorrindo.
- Então, você não esta com frio?
- Um pouco, mas acho que isso faz bem ás vezes.
Pedro então tirou o seu smoking e cobriu os meus ombros. Então eu ouço minha mãe me chamar, certamente se minha mãe visse como eu estava ela não iria gostar nada, devolvi o smoking para Pedro e corri para dentro.
Eu estava nas nuvens, Pedro havia conversado comigo e até estava flertando comigo!
- Filha, esta tudo bem? – minha mãe me perguntou enquanto saiamos, finalmente, daquele baile de inauguração que foi o oposto do que esperava. – Você parece estar no mundo da lua.
- Nada mamãe, é apenas uma pessoa que eu conheci.
- Posso saber o nome dela mocinha?
“Não, mamãe você não pode. Na realidade você iria odiar em saber que eu ousei falar com ele.”
- A mãe é. – eu olhei para mim mesma e percebi que eu havia esquecido o meu xale. – Já volto! Eu esqueci uma coisa no restaurante.
Eu sai correndo, aquele era o xale mais bonito que eu já tinha ganhado e não podia perde-lo. Entre correndo e fui em direção ao restaurante. Estava tudo escuro, a não ser por uma portinha que dava para uma das lojas. Duas pessoas estavam brigando, ou melhor, gritando uma com a outra eu não entendi o que falavam, assim eu resolvi parar de correr e ver se estava tudo bem.
Comecei a subir a escadaria, eu estava na metade da escadaria quando eu ouço a porta se abrir. Eu parei e fiquei olhando para a porta que estava com luz, sai um homem gritando.
- Você não presta sua mulherzinha de segunda categoria! – o homem a empurrava para a beirada.
- Não me chame assim! – ela respondia chorando.
- Vou te dar um trato, mas é agora.
Então ele levantou a mão e bateu no rosto da pobre mulher, ela começou a chorar mais ainda. A mulher estava apoiada no corrimão, tão inclinada que ele poderia facilmente empurrá-la, mas não foi o que ele fez. Simplesmente olhou para ela e foi em direção a loja e a mulher o seguiu.
Eu estou paralisada, não consigo me mexer, não entendo como alguém pode bater em uma mulher assim. Uma arma é disparada, o tal homem que ameaçou a mulher cai no chão ensangüentado e de dentro da loja saem duas pessoas, a mulher e...
O Pedro.

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